Entrevista ao site ROCK ONLINE
Julho/2003

Golpe de Estado: O Hard Rock do Brasil

31/07/2003

Por Rafael Sartori


Foto: Divulgação

A definição pode estar meio batida, mas não há outra mais adequada: O Golpe de Estado é a maior banda de Hard Rock do Brasil.

Confira nesta entrevista exclusiva, que o baixista Nelson Brito e o guitarrista Hélcio Aguirra concederam ao Rock Online durante um intervalo nas gravações do novo álbum, quais as conquistas, histórias e os planos da banda depois de quase 10 anos do último lançamento em estúdio.






A ENTREVISTA

O Golpe de Estado está completando 17 anos de carreira. Qual vocês acreditam ter sido a maior realização da banda nesse tempo todo?

Nelson Brito: Na verdade são 18 anos. Acho que a nossa maior conquista é estarmos vivos até hoje, com propostas de trabalho e com público ávido pela banda.

Hélcio Aguirra: Mesmo depois de alguns anos fora da mídia, sem disco, a gente toca no interior de São Paulo, por exemplo, e as pessoas trazem coleção de discos pra autografar e tudo mais. Nessas horas você sabe que vale a pena ainda a banda existir.

Nelson Brito: Tem outra coisa também, desde o começo até hoje, nós somos tidos como a maior banda de Hard Rock do Brasil. Mesmo quando não estávamos tocando muito, ficou esse buraco, nenhum outro grupo que pegou esse troféu.

O último trabalho do grupo foi o álbum ao vivo comemorando 10 anos de carreira, em 1996. Por que tanto tempo sem lançar nenhum disco? O que vocês fizeram durante esse período?

Nelson Brito: Nós fizemos a turnê de lançamento do “Ao Vivo” até 1998, 1999, mas depois de 10 anos a banda precisa dar uma respirada, para cada um cuidar de seus projetos, só que na verdade a gente nunca parou totalmente, sempre continuamos com os shows.

Hélcio Aguirra: A própria mudança de vocalista contribuiu para isso. Quando o Catalau saiu, o Rogério Fernandes fez a turnê do “Ao Vivo” e o ideal seria dar continuidade com ele na época, mas acabou não dando certo.

E como foi a entrada do novo vocalista, o Kiko Müller?

Hélcio Aguirra: A gente já conhece o Kiko há bastante tempo, a família dele também e foi curiosa a forma que caiu a nossa ficha, na verdade foi o Nelson quem deu a idéia...

Nelson Brito: Tinha um show em Itapecerica [da Serra / São Paulo] e quem iria cantar era o irmão do Rogério, o Nando Fernandes e uma semana antes ele me ligou dizendo que não poderia e tal. Aí eu disse “O Kiko está aí? Chama ele pra mim” e quando o Kiko atendeu eu disse “Vamos fazer um show semana que vem com o Golpe? A gente ensaia tudo” e ele “Vamos! Já sei todas as músicas”. Depois disso começamos a tocar mais, ensaiar com ele e quando fomos ver já estávamos gravando o disco novo.

O Kiko já participou das novas composições? Elas foram feitas já pensando na sua maneira de cantar?

Nelson Brito: Algumas já estavam prontas, mas ele participou também. Na verdade ele acabou participando de todas, porque teve que deixá-las com a cara dele na hora de cantar.

Como estão sendo as gravações do novo álbum?

Hélcio Aguirra: As gravações estão sendo ótimas, a gente fica aqui fazendo o que mais gosta que é tocar e está sendo bem legal porque agora é uma nova fase, tudo é novidade.

Nelson Brito: Esse estúdio aqui do Korzus também é legal pra caramba, eles sabem tirar um puta som de todos os instrumentos.

Hélcio Aguirra: Principalmente de bandas mais pesadas. Não que a gente seja o ‘top’ do peso, mas precisamos de peso no som.

Então esse vai ser o álbum mais pesado do Golpe? O que os fãs podem esperar dele?

Nelson Brito e Hélcio Aguirra juntos: Ah vai, com certeza é o mais pesado!!!

Nelson Brito: Mas é o Golpe ainda, né. Na hora em que rolar o disco você sabe que é o Golpe.

Hélcio Aguirra: Pode estar com uma pegada diferente, até com temáticas diferentes nas letras, mas ainda é o Golpe.

Estão com o apoio de alguma gravadora atualmente?

Hélcio Aguirra: Estamos com alguns contatos, mas agora vai ficar mais fácil porque o disco está ficando pronto. O plano é lançar mesmo por uma gravadora. Mesmo no começo quando saía pela Baratos Afins, que era independente, eles tinham poder, força de mídia.

E qual a previsão de lançamento?

Nelson Brito: O mais rápido possível (risos)

Hélcio Aguirra: Talvez em Outubro já esteja tudo pronto. No mais tardar no fim desse ano pra começar 2004 na pista já, com motor novo.

Vocês já participaram de inúmeros programas de rádio e TV. Com lançamento do novo álbum, vocês pretendem entrar nesse circuito novamente?

Nelson Brito: A gente já quer começar isso agora, chamar as revistas e a MTV pra virem aqui, como você veio, já para o público ficar sabendo.

Mas dá pra contar com o apoio dos veículos de comunicação?

Hélcio Aguirra: Acho que sim, tem muita gente que nem sabe que o Golpe existe ainda, é um assunto que interessa.

Nelson Brito: A própria mídia sempre teve um respeito com a gente nesse tempo todo e tem a curiosidade de saber o que a gente faz nesse tempo todo.

Hélcio Aguirra: Muitos programas de hoje derivaram dos que fizemos no passado, como no caso do Serginho Groismann, e muitos produtores ainda são os mesmos. Vai rolar tudo de novo.

Quais as outras atividades de vocês fora do Golpe de Estado?

Hélcio Aguirra: No meu caso é tudo ligado à música. Eu mexo com amplificadores, conserto, projeto e tenho um projeto paralelo instrumental chamado Mobilis Stabilis que já está gravando o segundo CD.

Nelson Brito: Eu sou professor de inglês nas horas vagas.

Com um professor na banda, vocês nunca tiveram vontade de cantar em inglês para tentar vender o som do Golpe para fora do Brasil?

Nelson Brito: Nós gravamos duas músicas em inglês no “Zumbi”, mas não passou disso.

Hélcio Aguirra: Na época do “Nem Polícia Nem Bandido”, que é o terceiro disco, houve a idéia de passar as músicas para inglês e lançar lá fora, mas não foi o momento.

Nelson Brito: Mas temos interesse de tocar na América Latina, que é um lugar onde temos bastante resposta do público, como na Argentina e Chile.

Hélcio Aguirra: Outro dia eu estava conversando com o Kiko Loureiro, do Angra, e ele me disse, por exemplo, que o pessoal do Rata Blanca é fã do Golpe. Enfim, é um caminho.

O Golpe sempre teve uma agenda cheia de shows por todo o Brasil. É difícil ainda conseguir lugar pra tocar depois de tanto tempo?

Nelson Brito: Tem de ir atrás, se não for atrás tem uma hora que pára. Se a gente quiser conseguimos umas 10 datas por mês rodando pelo interior, SESC...

Hélcio Aguirra: Mas é claro, numa estrutura intermediária. Não dá pra ficar esperando pra tocar nas grandes casas de show, se bem que tem muito bar grande por aí também.

Nelson Brito: Tocamos em Limeira recentemente e era um puta lugar enorme, lotado.

Hélcio Aguirra: Tem o Casebre aqui em São Paulo, por exemplo, que na primeira vez em que nós tocamos tinham 3 ou 4 mil pessoas e ninguém nem fica sabendo.

Vocês já estão tocando as músicas novas ao vivo? Como tem sido a reação do público?

Nelson Brito: Estamos tocando sim. O público já conhece as músicas, canta junto. A reação é a melhor possível.

Quais os planos do Golpe daqui pra frente?
Hélcio Aguirra: Lançar o disco, cair na estrada com o Kiko e entrar naquilo que você falou, no circuito da mídia novamente.

Vocês não têm medo de aparecer em programas que não tem relação com música como, por exemplo, aconteceu na polêmica participação do Angra na Monique Evans?

Nelson Brito: Temos que mostrar a cara, divulgar o trabalho, dizer quando e onde tem show, não vejo problema nisso. É o único jeito de se chagar ao grande público.

Hélcio Aguirra: Claro que damos preferência para programas em que poderemos tocar, nem que seja só playback, que é horrível, mas pelo menos a música vai estar rolando. Mas se eu fosse moleque, ligasse a TV no Ratinho e estivesse lá o Black Sabbath, eu ia achar do caralho, não muda nada, ia ser o máximo (risos).

Existem planos para um DVD?
Nelson Brito: Depois desse disco, talvez a gente lance mais um outro e só depois um DVD. Temos muito material de arquivo e seria legal resgatar tudo e disponibilizar para os fãs.

Alguma mensagem final aos que acessam o Rock Online?

Hélcio Aguirra: Aguardem o disco, consultem nosso site que está sendo reformado (www.golpedeestado.com.br) e o do fã clube que também é bastante atualizado (www.directnet.com.br/users/faclubegolpe).

Nelson Brito: Eu queria agradecer muito a todos vocês e avisar que no início do ano que vem, no máximo, estaremos na estrada com tudo.

  Esta entrevista pode ser encontrada no seguinte endereço:
http://territorio.terra.com.br/canais/rockonline/materias/default.asp?materia=217&codarea=1
 
by Fausto e Alessandra
http://www.golpedeestado.com.br/faclube